quarta-feira, fevereiro 22, 2012


Saiba como combater a Oleosidade da Pele


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Foto: John Akehurst/trunkarchive.com

1. Quais as principais características da pele oleosa e qual a melhor forma de identificar se a gente tem?

A pele brilha, tem poros dilatados e pode apresentar cravos e espinhas, que, em geral, aparecem mais na zona T (testa, nariz e queixo). “Um teste simples permite a identificação: passe o dedo indicador sobre a testa no fim do dia. Se deslizar facilmente, está confirmado”, ensina a dermatologista Ana Lúcia Recio, de São Paulo.

2. Em países com clima tropical, como o nosso, esse tipo de pele é mais comum?

“No Brasil, como o calor e a umidade do ar são mais elevados em boa parte do ano, a pele tem tendência a ficar mais brilhante e gordurosa”, diz a dermatologista Ana Carina Junqueira Bertin, da Clínica Adriana Vilarinho, em São Paulo. Uma pesquisa feita pelo Ibope a pedido da L’Oréal revela que 54% das brasileiras têm esse tipo de pele.

3. Quais são as diferenças entre a pele oleosa e a mista? Os cuidados básicos são os mesmos?

Na primeira, o excesso de oleosidade acomete toda a face. Na segunda, atinge mais a zona T. Os cuidados são parecidos, mas os produtos devem ser diferentes, sempre adequados a cada tipo. Quem tem pele mista precisa ficar especialmente atenta para não acabar ressecando demais as bochechas.

4. Quais são os principais fatores que levam a pessoa a ter uma pele oleosa? Dá para evitá-los?

A herança genética é a principal causa, e não há como evitá-la, embora seja possível aprender a lidar com o problema. Outros fatores contribuem, como alterações hormonais. Por isso é mais comum termos pele oleosa na adolescência, quando os hormônios estão em grande atividade.

5. A qualidade da alimentação influencia mesmo no problema da oleosidade? De que maneira?

Essa questão é polêmica. Alguns médicos acreditam que a ingestão de frituras e comidas gordurosas em geral contribuem para incrementar a atividade das glândulas sebáceas; outros dizem que não. Só um ponto é consenso: uma dieta pobre em nutrientes prejudica a pele, o cabelo e as unhas – e uma saudável ajuda a trazer saúde e beleza.

6. E no caso do chocolate, existe comprovação de que ele pode agravar o problema?

“Como ele contém muita gordura saturada, não é incomum que pessoas com propensão ao desenvolvimento de acne tenham mais lesões após o abuso de chocolate por causa do papel dos ácidos graxos no organismo”, explica a dermatologista e cirurgiã capilar Leila Bloch, de São Paulo. É que, quando “atacados”, os ácidos graxos reagem desencadeando um processo inflamatório.

7. Quais são as vantagens de se ter pele oleosa? É verdade, como dizem, que ela envelhece menos?

Não é verdade. “Envelhecimento depende de fatores genéticos e ambientais, como sol, fumo e poluição”, diz a dermatologista Ediléia Bagatin, de São Paulo. Segundo ela, a pele oleosa tende a ser mais espessa, o que pode fornecer mais proteção contra agressões externas. Essa seria a “vantagem”.

8. E as desvantagens? É indiscutível, por exemplo, que a incidência de acnes é maior.

De fato, a tendência à acne é maior, assim como a manchas e cicatrizes decorrentes desse problema. E os poros costumam ser dilatados. “Além disso, por falta de informação, as pessoas que têm esse tipo de pele podem exagerar nos sabonetes agressivos e provocar ressecamento”, avalia o cosmetólogo Maurício Pupo, de São Paulo.

9. Em relação aos cuidados diários, existe alguma recomendação importante para quem tem pele oleosa?

Higienize o rosto só duas vezes ao dia, de manhã e à noite. “Lavar excessivamente piora o problema porque a pele resseca e o organismo entende que precisa produzir oleosidade extra”, avisa Ana Lúcia Recio. É o chamado efeito rebote. Use água na temperatura morna ou fria e não esfregue demais ou passe bucha, pois isso estimularia ainda mais as glândulas sebáceas.

10. Que outras etapas são consideradas indispensáveis na rotina de cuidados?

Seja qual for o tipo de pele, a sequência inclui limpar, tonificar e hidratar. Assim, após a lavagem, tonifique com produtos adstringentes sem (ou com pouco) álcool na fórmula, para promover a contração dos poros, equilibrar o pH, acalmar e refrescar a pele. E aplique um hidratante sem óleo.

11. Vira e mexe a gente ouve falar que a pele oleosa não precisa de muita hidratação. Isso é correto?

Uma coisa é diferente da outra, ou seja, é possível ter pele oleosa e desidratada. “Então, não se pode esquecer da hidratação nunca, sempre com produtos que contenham mais substâncias aquosas, como glicerina e ácido hialurônico, e menos ativos oleosos, como óleo de amêndoas e manteiga de karité”, salienta Pupo.

12. Então, é mesmo fundamental só utilizar produtos específicos para esse tipo de pele?

Sim, todos os integrantes do nécessaire devem ser formulados para pele oleosa. “Isso significa só usar cosméticos, medicamentos e filtros solares em versões consideradas mais leves, como gel, gel creme e sérum. Os sabonetes também devem ser especiais, com agentes capazes de reduzir a oleosidade”, diz a dermatologista Patrícia Ormiga, do Rio de Janeiro.

Foto:    Divulgação

Foto: John Akehurst/trunkarchive.com

13. Que substâncias têm o poder de controlar a oleosidade, ou seja, o que procurar nos rótulos?

Alguns componentes com esse poder: extratos de sálvia e camomila, óleo de malaleuca, chá-verde, calêndula, hamamélis, hortelã, cânfora e mentol, presentes em tonificantes. Já os sabonetes antissépticos e as loções adstringentes ou secativas podem conter triclosan, ácido salicílico e peróxido de benzoíla ou enxofre.

14. Os poros sempre se dilatam? Por que isso acontece? E o que se deve fazer para lidar com o problema?

Sim, sempre se tornam maiores. Aliás, esse é um dos grandes problemas da pele oleosa. Os poros ficam dilatados porque não conseguem se livrar do excesso de secreção. Uma indicação é aplicar produtos que controlem a oleosidade, como loções secativas e tônicos. Outra é usar ácido retinoico, com acompanhamento médico.

15. Quer dizer que, de uma maneira geral, os ácidos são recomendados para inibir a oleosidade?

Os ácidos podem ser usados, mas vale ressaltar que não reduzem, de verdade, a atividade das glândulas sebáceas. “O que fazem é ressecar a superfície da pele, melhorando a aparência geral. E diminuem as manchas, clareiam lesões de acne e reduzem o aspecto de pele fotoenvelhecida”, diz a dermatologista Doris Hexsel, de São Paulo.

16. Há outros métodos mais radicais e, ao mesmo tempo, eficazes para combater a oleosidade excessiva?

Antes de tudo, é essencial uma avaliação dermatológica com investigação das causas específicas. A princípio, porém, Doris Hexsel indica dois procedimentos para diminuir a atividade das glândulas sebáceas: uso de isotretinoína oral e terapia fotodinâmica, que é a aplicação de ativos seguida de luz ou laser. Ambos necessitam de acompanhamento médico.

17. Adianta alguma coisa para quem tem pele oleosa fazer esfoliação com frequência?

O procedimento, que remove as células mortas da superfície, a sujeira acumulada e os resíduos de sebo, é muito benéfico. Só não pode exagerar. A indicação é uma vez por semana, se for uma esfoliação vigorosa, ou até três, se bem suave. Mas atenção: se você nunca se submeteu a uma esfoliação e fizer isso pela primeira vez, poderá notar que a superfície se tornou até mais gordurosa. “Isso ocorre por causa da massagem e da própria desobstrução dos poros, que mantinham o sebo represado”, avisa o cosmetólogo Pupo. E acrescenta: “O segredo é a persistência”. Ou seja, insista até que os poros desobstruam completamente.

18. Por que sempre se ouve falar que o estresse tem efeito negativo sobre a pele oleosa?

É difícil medir o efeito exato do estresse sobre a oleosidade. Mas experts acreditam que ele pode, sim, aumentar a secreção sebácea. Pupo sustenta que o sistema nervoso faz uma “verdadeira bagunça” no nosso corpo, principalmente nos hormônios. “Basta reparar como não é raro aparecerem lesões de acne nas vésperas de provas ou de eventos importantes, como o casamento.”

19. O sol traz algum benefício? A sensação é de que ele consegue “secar” as espinhas...

Apesar de a exposição ter efeito cicatrizante, o sol pode aumentar a produção de sebo, além de ser o principal causador de envelhecimento e do câncer de pele. “Assim, o uso de filtro solar é obrigatório para todos os tipos de pele, até em dias nublados e em horários de menor intensidade dos raios ultravioletas”, afirma Doris.

20. Muita gente comenta que o protetor solar aumenta a oleosidade. Mesmo assim, precisa usar?

É preciso escolher um filtro solar adequado. “O protetor ideal para a pele oleosa é leve, em forma de gel, gel creme ou musse, e deve ser aplicado pelo menos duas vezes ao dia em todo o rosto”, afirma Ana Carina. O fator de proteção mínimo recomendado é 30.

21. No caso da maquiagem, que tipo de produto é mais recomendado?

Principalmente nos corretivos e nas bases, prefira os oil free e de textura fluida, que não agregam mais óleo à pele nem obstruem os poros. Também são aconselháveis itens hipoalergênicos, para evitar irritações e alergias. Se a oleosidade for grave, uma opção é trocar o corretivo e a base por itens mais leves, como pós.

22. O primer é um bom aliado para quem tem pele oleosa? Ele consegue uniformizar a pele antes do make?

Certamente é um bom aliado. Desenvolvido para ser um produto pré-make, aplicado antes mesmo da base, o primer é formulado com micropartículas que refletem a luz e deixam a pele com ar aveludado, suavizando os poros dilatados e as linhas finas. Ainda prolonga a duração da maquiagem.

23. Quando a pele da gente é oleosa, o cabelo necessariamente também é?

Não é uma regra: peles oleosas, mistas e secas podem vir acompanhadas ou não de cabelos com iguais características. “A produção de óleo vem das glândulas sebáceas. Elas estão espalhadas pelo nosso corpo todo, mas algumas áreas têm mais glândulas do que outras e, além disso, cada glândula reage de uma forma”, afirma Ana Carina.

Foto:    Divulgação


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