quarta-feira, novembro 13, 2013


Parto normal ou cesariana: qual é a melhor maneira de ter o seu bebê?


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De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é campeão mundial de cesarianas. Enquanto o percentual recomendado pela autoridade é de 15%, a média nacional, de acordo com o Sistema de Informações de Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, é de 52,2%. E as autoridades são uníssonas quando o assunto é a melhor maneira de ter o bebê: parto normal é, sem dúvidas, a melhor opção.
Na rede privada, 80% dos partos são cesária.



Isso porque a cesariana é um procedimento cirúrgico e indicado apenas quando a mãe ou o bebê corre algum risco: desproporção céfalo-pélvica (quando a cabeça do bebê é maior do que a passagem da mãe); hemorragias no final da gestação; ocorrência de doenças hipertensivas na mãe específicas da gravidez; bebê transverso (atravessado); e sofrimento fetal. A ocorrência de diabete gestacional, a ruptura prematura da bolsa e o bebê com trabalho de parto prolongado também são consideradas indicações relativas para a cesariana.

Cesariana tem recuperação mais lenta
"A cesariana, quando feita por indicação, salva vidas, tanto da mãe quanto do bebê. Mas ocorre uma banalização da opção pela cesariana. Temos hoje no Brasil um modelo privado de hospitais que induz à cesariana. A mulher é ligada a um profissional que tem uma agenda, outros partos agendados ou consultas, e nem sempre ele tem tempo ou está à disposição para acompanhar todo o processo do parto normal. Criou-se a cultura de que a cesariana é uma forma prática, moderna e indolor de ter um bebê", avalia a coordenadora técnica do programa Saúde da Mulher, do Ministério da Saúde, Esther Vilela.

"A questão é econômica, pois os médicos precisam atender no consultório (para sobreviver) e nem sempre conseguem dar assistência suficiente às parturientes que optam por terem parto normal. Sabe-se que os partos normais podem levar muitas horas para acontecer, e não são todos os médicos que conseguem se dispor a isso, considerando os valores pagos pelos convênios", observa a psicóloga Cynthia Boscovich.

A recuperação mais rápida após o parto normal é apenas uma das vantagens que a mulher tem ao optar por essa modalidade. Logo após o nascimento, o bebê acolhido pela mãe cria um vínculo que facilita o aleitamento e a relação de mãe e filho. "O bebê nasce na hora que ele quer, e não na hora que alguém escolhe, é o momento que ele está pronto para vir ao mundo. Com o parto vaginal (normal) a criança e a mulher têm menos riscos como infecções, trombose e hemorragia, sem contar que a recuperação é mais rápida", afirma o Coordenador da Maternidade do Hospital Albert Einstein Eduardo Cordioli.


Normalmente, após o início das contrações do trabalho de parto, o parto natural pode levar entre 10 e 12 horas, enquanto a cesariana tem duração aproximada de uma a uma hora e meia, de acordo com o Coordenador da Maternidade do Hospital Albert Einstein, Eduardo Cordioli. Hormônios como ocitocina e cortisol são liberados pela mulher, melhorando a maturidade fetal e pulmonar da criança, além de facilitarem a saída do bebê. Ao passar pelo canal do parto, a compressão auxilia a eliminação do líquido pulmonar, que facilita o amadurecimento pulmonar e o sistema respiratório do bebê, evitando doenças. Para o bebê são só vantagens. Mas um dos maiores medos da mulher é a dor de dar à luz de maneira natural, que atualmente é suprimida com a aplicação de anestesias específicas ou um pequeno corte no períneo que facilita a saída da criança. "Com o parto normal, no mesmo dia a mulher já pode andar. Ela tem a dor do parto, mas após isso acaba a dor. E a dor do parto pode ser atenuada com anestesia. Já com a cesariana, a mulher precisa de uma semana a dez dias para se recuperar", explica ginecologista e obstetra Domingos Mantelli Borges Filho. Exercícios de respiração ajudam a controlar a dor e também preparam a mãe para o momento de fazer força ao expelir o bebê.

Cesariana: parto para mãe ou bebê em risco
É mito que a vagina não volta à forma após o parto normal
O medo da mulher muitas vezes não é só com a dor do parto. Outros receios afastam ainda mais as futuras mães da opção pelo parto normal. "Elas acham que alarga a vagina, o que não é verdade. A vagina volta ao normal, ela tem elasticidade para isso", reforça Domingos. Com poucos pontos negativos, o parto normal é o mais vantajoso para a criança: "Apenas nos casos em que a mulher não está preparada ou rejeita totalmente a ideia do parto normal por medo ou tensão é que há ponto negativo. Para a criança não existem muitas desvantagens, a não ser que se detecte sofrimento fetal agudo, ou seja, a desaceleração dos batimentos cardíacos", explica a naturologa e Doula Raquel Oliva, da Comparto. Neste caso, dá-se início ao procedimento cirúrgico.

Se a mulher tem um canal de parto muito restrito, os médicos optam pelo corte no períneo entre o ânus e a vagina chamado episiotomia. Normalmente, o corte é feito nas mulheres de primeira gestação ou as mães que têm um canal mais estreito. "Se a musculatura dificulta a saída do bebê, é melhor optar pela episiotomia, pois pode ocorrer o rompimento da musculatura acarretando incontinência fecal ou urinária e outros problemas" explica Domingos Filho. Segundo ele, a recuperação é como a de um corte simples, pois os pontos são feitos com fios absorvíveis, ou seja, a mulher não precisa ir até o médico para retirar os pontos, e a cicatrização é mais rápida. "A mulher pode sentir uma leve ardência e a cicatrização é concluída em até uma semana", finaliza.

Relações sexuais: quando a mulher está pronta?
Algumas medidas podem deixar o parto mais confortável tanto para a mãe quanto para o bebê. "O ideal seria que essa passagem possa ser feita suavemente e com tranquilidade. O que pode ser feito para que o ambiente se torne acolhedor para o bebê é reduzir a luminosidade da sala de parto, colocar a criança junto da mãe, de preferência em seu peito para ouvir os batimentos cardíacos dela e a mãe falar com o bebê, pois ele estava acostumado com sua voz desde o útero", sugere a psicóloga Cynthia Boscovich. Colocar uma música tranquila, se houver alguma que a mãe ouvia durante a gestação, também poderá proporcionar segurança ao bebê, explica a psicóloga: "E amamentá-lo caso ele busque instintualmente o seio também fortalece o vínculo entre os dois.".

A volta à vida sexual permeia o imaginário de homens e mulheres, que não sabem ao certo quando podem voltar a ter relações sexuais normalmente. "Independente de parto normal ou cesária, não é indicado ter relação sexual até o término do puerpério, que são os cerca de 42 dias de quarentena da mulher após dar à luz. É nessa fase que ocorre a loquiação, ou seja, o sangramento uterino que começa com o vermelho vivo, passa por colorações rosa e rosa claro e desaparece. "A partir daí, quando o médico liberar pode ter relações sexuais. A recuperação depende de cada mulher", explica Domingos.


Dicas GNT.Globo


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